Os Museus e a Política do Mercosul

09/10/2005

Jornal Panorama

Paulo Delgado

Deputado Federal

Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal

O Sistema Brasileiro de Museus – SBM, guardião da memória nacional, tem passado por um processo de mudanças de diretrizes e metas que refletem uma nova consciência da relevância e do papel social dos acervos museológicos a serviço das comunidades em que se situam. Da ênfase no objeto cultural, passou-se à ênfase no sujeito da cultura, voltados para um público de diferentes segmentos e origens.

Sem dúvida, os museus, assumem, cada vez mais, a responsabilidade de manter viva a cultura brasileira com toda a multiplicidade de aspectos que lhe é característica, lutar pela utilização dos acervos como ferramenta de produção do conhecimento, e, ainda, aprofundar a organização de alternativas para fazer chegar a um público maior o que pode ser transmitido por meio do conhecimento repassado pelos museus.

Vale salientar que esta dimensão dada à política de museus vive um movimento regional positivo, onde se encontram Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Neste sentido, a Argentina sediou, em 19 de setembro, a Jornada “Os Museus e a Política do Mercosul”, que teve o objetivo de aprovar uma agenda de trabalho para articular um plano estratégico para a integração dos museus da região, denominada “Declaração de Buenos Aires para os Museus do Mercosul”.

Compõem esta Declaração os seguintes itens: Os museus do século XXI; Governabilidade e gestão; Interpretação e proteção dos bens culturais; Prevenção contra o tráfego ilícito de bens culturais; Circulação de bens culturais; Comunicação e acessibilidade do patrimônio; e Política Nacional de Museus.

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados tem apoiado e facilitado o diálogo com o Executivo Brasileiro objetivando contribuir para uma melhor compreensão do que está sendo proposto como base conceitual da Política Nacional de Museus e seus desdobramentos em prol da preservação da cultura brasileira.

Lamentavelmente o acesso à cultura ainda é muito precário no país. Entendo que por meio desse acordo regional geram-se grandes possibilidades de contribuirmos com as dificuldades presentes na nossa sociedade, priorizando o combate à desigualdade ao acesso e à difusão do nosso patrimônio material e imaterial.

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