Delgado defende fiscalização pela ONU de acordo com o Irã

19/05/2010

Agência Brasil / Correio Braziliense – 19/05/2010

Rio de Janeiro – O deputado Paulo Delgado (PT-MG) disse que as negociações diplomáticas só podem produzir conteúdo político relevante se a parte com quem se negocia também respeite a democracia. Ao comentar o acordo firmado com o Irã, com a intermediação do Brasil e da Turquia, para a transferência de urânio enriquecido, Delgado afirmou que o Irã é um país teocrático, que está submetido a outra forma de soberania – a dos aiatolás.

Em entrevista à Agência Brasil, o deputado – especialista em relações internacionais, sociólogo e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – disse que o acordo nuclear é um dado positivo no cenário internacional, na medida em que mostra “a força simbólica do Brasil, resultado do seu tamanho e da sua importância na América do Sul, e da sua população gigante”.

“Eu confio no Brasil, mas não confio no Irã. Na capacidade deles de honrar palavras ou mesmo acordos, daí a desconfiança com que algumas nações desenvolvidas receberam a notícia desse acordo”.

O deputado petista defendeu a necessidade de que a própria Organização das Nações Unidas (ONU) fiscalize e monitore o cumprimento do acordo por parte do Irã. “Eu acho que o acordo tem que ser monitorado. Ele está feito, mas precisa ser monitorado permanentemente pelas Nações Unidas”.

Para Delgado, o temor das principais nações do mundo em relação à capacidade do Irã de honrar o acordo é justificável, mesmo sendo louvável a iniciativa brasileira. “Acho que a cautela é necessária porque o regime do Irã está submetido a uma lei maior do que as leis internacionais – e que tem pouco apreço pelo sistema democrático”.

Paulo Delgado participou nessa terça-feira (18/5) do painel Fortalecimento das Instituições Políticas do País: Sistemas de Partidos e Congresso Nacional, realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito do 22º Fórum Nacional de Altos Estudos. Ele ressaltou a iniciativa do governo brasileiro, que considera reflexo da política pacifista cultivada durante toda a sua história.

“É preciso lembrar que toda a fronteira brasileira, uma das maiores do mundo, foi totalmente consolidada por meio de negociação diplomática. Então é uma continuidade dessa tradição. E é preciso lembrar que aquela [o Oriente Médio] é uma região de conflito. Não é uma região em que judeus, palestinos e persas convivam de maneira harmoniosa, e isso é uma coisa de décadas. Várias experiências de paz fracassaram, vários acordos multilaterais não deram em nada”.

O parlamentar lembrou ainda que o Brasil sabe e tem capacidade para fazer a bomba atômica e decidiu não fazê-la. “E o Irã quer aprender para fazer a bomba. Por causa da própria característica do regime – o Irã não esconde de ninguém que é um país belicista, de confronto e expansionista”, alertou.

Paulo Delgado defendeu a necessidade de que todos os países que dominam a tecnologia e têm a bomba atômica deixem de tê-la. “Já existem os acordos tríplices de desnuclearização do mundo. E não devemos permitir que novos atores tenham a bomba”.

Em sua opinião, esse é um problema mundial, de segurança e das populações. “Nós temos interesse na paz do mundo, inclusive para proteger a nossa própria população”, disse.

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