Paulo Delgado (MG) e o ex-tucano Sigmaringa Seixas (DF) seriam os nomes mais cotados; petistas de São Paulo disputam indicação Lula quer eleger um petista que tenha o apoio da oposição

09/09/2005

Kennedy Alencar – Folha de São Paulo

Avaliando que Severino Cavalcanti (PP-PE) perdeu a condição política de continuar a presidir a Câmara e que deveria renunciar logo para evitar um doloroso processo de cassação, o Palácio do Planalto trabalhará para que o PT apresente um candidato à sucessão do pepista que tenha trânsito com a oposição e que possa ser eleito por acordo.

Oficialmente, a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser a mesma adotada durante o processo eleitoral do início do ano na Câmara no qual Severino derrotou dois petistas, o postulante oficial Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e o dissidente Virgílio Guimarães (MG).

Nos bastidores, porém, os articuladores políticos de Lula consideram que o governo deve aprender com os erros do processo que resultou na eleição de Severino em fevereiro, evitar nova briga interna que já se desenha no PT e apresentar um candidato (petista, de preferência) que possa ser aceito pela maioria dos partidos.

A principal preocupação do Palácio do Planalto é que a presidência da Câmara, caso se confirme a queda de Severino Cavalcanti, fique nas mãos de um oposicionista. Teme-se que um adversário de Lula possa aceitar um eventual pedido de impeachment em meio à atual crise política.

Hoje, os petistas que se aproximariam mais do perfil desejado pelo governo para concorrer à sucessão de Severino são os deputados Sigmaringa Seixas (DF) e Paulo Delgado (MG). Ambos têm bom trânsito no PFL e no PSDB. Sigmaringa, amigo de Lula e ex-tucano, é o favorito.

Paulistas

Há dificuldade para que o PT indique um deputado federal de São Paulo para postular a presidência da Câmara. Em primeiro lugar, um atira no outro, anulando-se mutuamente e dificultando uma solução por consenso.

Exemplo: o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), já se articula contra a possibilidade de o deputado federal José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) ser apontado pelo partido como candidato ao cargo. Lula teria de bancar Cardozo para que ele possa ser aceito no PT.

No caso de o governo ter de apoiar uma candidatura à presidência da Câmara que não seja do PT, os nomes que contam com mais simpatia no Planalto são os de Eduardo Campos (PSB-PE) e Aldo Rebelo (PC do B-SP).

A divulgação da simpatia do governo pelos dois já causou resistência a eles no PT, o que torna, no volátil cenário de hoje, mais fortes as eventuais candidaturas de Sigmaringa e Delgado.

Fator Severino

Na hipótese de Severino renunciar à presidência da Câmara ou ao seu mandato, deverá haver eleição para sucedê-lo no prazo de cinco sessões da Casa. O governo, porém, não sabia até as 19h30 de ontem qual seria a reação do presidente da Câmara.

Para auxiliares de Lula, a entrevista do empresário Sebastião Buani ontem, na qual ele confirmou ter pago propina a Severino, será suficiente para derrubar o presidente da Câmara. De volta do Peru, Lula seria informado dos detalhes ainda na noite de ontem.

Até a entrevista de Buani, o presidente da Câmara vinha dizendo que não renunciaria. Deputados que fizeram contato com os severinistas e com sua família após a entrevista de Buani acham que ele poderá mudar de idéia, mas que atacará parlamentares da oposição. Ele poderia, por exemplo, revelar lista de empregos em gabinetes que foram dados a pedidos de parlamentares.

Auxiliares diretos de Lula já ouviram do presidente da Câmara que ele iria atirar na oposição se viesse a cair. Logo, apesar de achar que o mais adequado seria a renúncia de Severino, o governo Lula não fará movimentos bruscos nesse sentido. Quer evitar se tornar alvo do pepista.

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