Opção de risco

31/07/2005

Opinião – Jornal do Brasil

Em entrevista concedida ao repórter Israel Tabak, publicada ontem no Jornal do Brasil , o deputado Paulo Delgado (PT-MG) emitiu uma das mais precisas interpretações da crise que tem maculado a imagem do Partido dos Trabalhadores: a preferência exacerbada da legenda pela publicidade. Segundo o parlamentar mineiro, o PT substituiu sua ”natureza original”, na qual se buscava resistir aos apelos muitas vezes fantasiosos do marketing político.

Os riscos dessa opção são especialmente danosos para um partido que tentou notabilizar-se pelas diferenças programáticas e pela negação das práticas mais odiosas da política brasileira – premissas hoje, infelizmente, esquecidas pela cúpula petista, gesto suficientemente capaz de promover uma rachadura moral que atormentará o partido daqui para frente.

”A verdade perde o seu poder de convencimento”, pontuou Delgado na entrevista. Assim, continuou, ”a versão passa a ser mais importante. Isso se aproxima da pior política, que é o erro poder ser transformado em acerto”. Não se trata, porém, de uma perversidade exclusiva do PT . Assim têm agido os partidos brasileiros financeiramente mais musculosos. Tal prática, como o próprio deputado lembrou, além de tornar os discursos de campanha cada vez mais vazios, elevou enormemente os gastos realizados nas campanhas eleitorais – terreno fértil, portanto, para a corrupção.

Por tais razões, é tão relevante a instituição de mudanças nas regras eleitorais, entre as quais se inclui o financiamento público de campanhas. Trata-se de um modo eficaz para tornar o processo eleitoral menos dispendioso e fechar a torneira da qual jorram fartos e ilícitos recursos.

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