ELEIÇÕES – Petistas definem candidatos

02/04/2006

Estado de Minas – Belo Horizonte – Bertha Maakaroun

Sem a participação dos ministros Patrus Ananias e Hélio Costa, PT mineiro busca novas opções para fechar chapa que vai disputar o Palacio da Liberdade. Alianças são articuladas.

Depois de descartada a manobra do governo para a disputa do governo de Minas pelos ministros da Comunicação, Hélio Costa (PMDB) e da Defesa Social e Combate à Fome, Patrus Ananias (PT), o PT se debruçou ontem, durante encontro estadual, sobre a estratégia para a sucessão ao Palácio da Liberdade. Prevalece a disposição para o lançamento da candidatura própria e para a formação de alianças. As possibilidades do PT estão restritas. Enquanto no PMDB mineiro as diversas correntes não chegam a consenso em relação à política de alianças, partidos como o PTB, o PL e o PP, que no plano federal apóiam o governo Lula, em Minas já acertaram apoio à reeleição do governador Aécio Neves (PSDB). O PT conta, assim com o PC do B, aliado tradicional, com o PTN, com parte do PSB e com o recém-criado PRB, do vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, que tem pouca estrutura no estado.

Petistas de alto escalão justificaram a tentativa malsucedida do presidente Lula, ao final do prazo legal para a desincompatibilização, de viabilizar uma aliança entre PMDB e PT para concorrer ao Palácio da Liberdade. Segundo ele, circulam no Palácio do Planalto pesquisas de opinião qualitativas e quantitativas que indicam que o desempenho de Lula nos estados independe das disputas locais. “Não vou pedir ninguém para ficar ou para sair”, teria afirmado Lula. Por conta disso, o presidente conversou com os ministros mineiros manifestando um interesse não de forma impositiva, mas antes, considerando sobretudo as expectativas de cada um. “Se para o presidente não houvesse nenhuma outra possibilidade estratégica em Minas, ele teria sido incisivo com ambos. Ao contrário, ele não foi”, afirma um interlocutor próximo de Lula. O movimento de última hora de Lula seria resultado de sugestão de Walfrido Mares Guia, ministro do Turismo, que estaria entusiasmado com a construção da chapa em Minas.

Ao conversar com o presidente, Patrus Ananias manteve as mesmas considerações que vinha fazendo há vários meses: o seu tempo e energia estão completamente dedicados aos programas sociais do governo e preferiria permanecer no governo. Por seu turno, Hélio Costa considerou não ter o controle do PMDB no estado, não tendo condições de garantir a indicação de sua candidatura ao governo pela legenda, nem a consolidação da aliança entre os dois partidos. Aos interlocutores mais próximos, Hélio Costa confidenciou que achava difícil enfrentar a estrutura de Aécio Neves no estado sem que, para isso, tenha sido trabalhada com antecedência a construção de sua candidatura.

Enquanto o presidente estadual do PT, Nilmário Miranda, é o nome que desponta com mais força para concorrer ao governo de Minas, para o Senado, a disputa interna será mais acirrada. São possíveis pré-candidatos à indicação, o deputado federal Paulo Delgado, o deputado federal Virgílio Guimarães e Tilden Santiago, embaixador do Brasil em Cuba. Para evitar rachas neste momento, é possível que os petistas optem, no encontro de hoje, pela prática tradicional em que uma lista de possíveis candidatos majoritários é aprovada, sem definir quem concorrerá a qual mandato. As indicações serão votadas hoje, assim como serão escolhidos os delegados que representarão Minas no encontro nacional do partido, que aprovará a reeleição de Lula.

Senado

Três nomes estão na disputa pela candidatura petista ao Senado: o embaixador do Brasil em Cuba, Tilden Santiago e os deputados federais Virgílio Guimarães e Paulo Delgado. Para evitar rachas, é possível que seja aprovada hoje uma lista com os pré-candidatos majoritários, para uma definição futura – depois de muita negociação.

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