Brasil e China: uma agenda em movimento

05/04/2006

Leia – Informativo da Comissão de Educação e Cultura – Entrevista – Câmara dos Deputados – Brasília – nº 37

De volta ao Brasil, o deputado Paulo Delgado fala de sua viagem oficial à China, no período de 16 a 26 de março, quando esteve em Pequim e Xangai como integrante da Subcomissão Mista Cultural Brasil-China à 1ª Sessão da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reuniu em 24 de março na capital chinesa. (Presidiram a Subcomissão, pelo lado brasileiro, o Vice-Presidente da República, José Alencar, e, pelo lado chinês, a vice-primeira-ministra da China, Hu-Wi. Faziam parte, ainda, da comitiva, o Secretário Executivo do MinC, Juca Ferreira, o deputado Paes Landim, entre outros).

Leia – A China, como o Brasil, é um país em desenvolvimento, com uma rica cultura e grandes problemas sociais. Do ponto de vista de uma economia da cultura, o senhor acha pertinente falar em blocos e alianças entre os países, a partir de conceitos como os de desenvolvimento e subdesenvolvimento, primeiro e terceiro mundo?

Paulo Delgado – Há muitos resultados colhidos pela evolução econômica da China. Mais do que no Brasil. E entre nós há uma vitalidade que se atesta na sucessiva troca de visitas presidenciais ao longo das últimas décadas. Há complementaridade entre nossos potenciais bilateriais. O Brasil tem o sol, a terra e a água permanentemente, não pára. A China é obrigada a parar no inverno. Os chineses têm a vocação para o intercâmbio e o Brasil, a disponibilidade para isso.

Leia – Que perspectivas essa viagem abre aos dois países?

Paulo Delgado – São perspectivas de superação e preservação das culturas nacionais pelo conceito de diversidade afirmado pela UNESCO. Há uma coincidência no interesse de intensificar laços: estamos diante de uma admiração com desconhecimento. Ao mundo do povo brasileiro e chinês, é o desconhecimento que ela pode suplantar.Incentivar as indústrias culturais e o intercâmbio dos dois países vai produzir uma economia criativa nova. Brasil e China, nesse encontro, no âmbito da S u b c o m i s s ã o M i s t a Cultural, indicaram que devem encorajar e implementar projetos governamentais e não-governamentais sob ampla variedade de formas, para ampliação da amizade e do conhecimento.

Leia – A música e o cinema são, de imediato, as “commodities” a ser incorporadas à pauta de comércio entre China e Brasil. O sr. considera que a diferença das línguas e das culturas possa constituir obstáculo à aceitação desses produtos fora dos seus lugares de origem? O que pode, a seu ver, favorecer a aproximação entre as duas culturas?

Paulo Delgado – Existe uma curiosidade em relação aos ideogramas mandarins e aos fonemas brasileiros, a língua brasileira é ouvida em canais de TV. Há também áreas com automotivação própria, como, no esporte, o pingue-pongue e o futebol. O cinema brasileiro se beneficia de um regionalismo universal e nós não conhecemos o cinema deles, que é muito forte. O paisagismo, o modernismo e o naturalismo dos chineses, por outro lado, é entusiasmante. Está, também, em vigor para o biênio2006/2008, um programa executivo sino-brasileiro. Ele prevê iniciativas relacionadas a quatro itens fundamentais: publicações bilíngues, esportes, TV e cinema. Dentre as publicações, a maioria tem finalidade didática: são histórias infantis e panoramas do Brasil distribuídos em escolas para crianças, no ensino fundamental. Há também o compromisso pra os dois países de ampliar bolsas de graduação e pós-graduação para o estudo do mandarim e do português. A medicina chinesa, com seu saber milenar, poderia muito bem fazer parte do currículo acadêmico e do programa de saúde na família, no Brasil.

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