Artigos
Adeus, meninos
A história é sempre mais dura do que parece para quem a viveu do que para quem escreve sobre ela. Mas a totalidade dos seus efeitos ultrapassa a compreensão humana imediata. Lembro-me bem da terça-feira, 11 de setembro de 2001. E cada vez mais vejo suas conseqüências por todos os lados.
Leia maisEnigmas da Rússia
Quando José Alencar, então vice-presidente da República e ministro da Defesa, atravessou o primeiro corredor da gigantesca fábrica dos imponentes caças Sukhoi e viu extintores de incêndio vencidos, computadores ultrapassados e muita poeira, pegou no meu braço e sapecou: “Isso aqui tá pior do que a pior fábrica de móveis lá de Ubá”.
Ironia síntese da decadência tecnológica e do abandono da economia do conhecimento, a competitividade soviética acabou imersa numa indústria mecânica fixada em guerra.
Caderno em branco
Há um caderno em branco à espera das decisões da maioria dos juízes brasileiros, pronto para ser preenchido. Muitos não conseguirão escrever sua história nem contratando bons detetives ou especialistas em biografias. Todas as oscilações de personalidade (grandezas e fraquezas), consideradas normais em cidadãos comuns, quando se trata de um juiz, ficam estampadas na sua sentença. Especialmente se ele teme enfrentar privilegiados, pois sua decisão constitui-se sempre num recado da justiça sobre como deve ser a vida em sociedade.
Leia maisReflexos da Índia
A Índia é movimento e multidão. Quando Anna Hazare, um senhor de 74 anos, foi preso por protestar contra as talhas e limitações contidas na lei anticorrupção, o verão em Nova Délhi esquentou mais ainda. Imediatamente, milhares de pessoas saíram às ruas para apoiar o líder. Querem que a lei, em discussão no parlamento indiano, seja alterada, para acabar com as exceções que livrariam políticos e magistrados de serem julgados. “Só é aceitável um forte Lokpal (escritório anticorrupção) de vasto alcance que possa julgar qualquer cidadão suspeito de práticas fraudulentas, sem importar cargo, poder ou condição social”, advertiu, sem autopiedade, o ativista anticorrupção. O premiê indiano não aceita a forma escolhida por Hazare para protestar. “A greve de fome… é um caminho totalmente equivocado e carregado de consequências para a nossa democracia.”
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